Se comunicando com um idoso com demência



A demência é uma síndrome degenerativa, progressiva, e na maior parte dos casos é irreversível.  Nesse post vamos conversar sobre a memória e linguagem – condições que afetam sobremaneira a comunicação dos idosos com seus familiares e cuidadores. 

Os estresses oriundos de uma comunicação não efetiva, podem gerar conflitos pela falta de habilidade e de paciência da pessoa que cuida desse idoso.

Os problemas de comunicação evoluem conforme a progressão da doença. A perda da memória faz que com o indivíduo se torne repetitivo, e esqueça facilmente de algo que acabou da falar ou fazer, ou daquilo que acabaram de falar com ele. É preciso exercitar a paciência!

Muitos familiares, por falta de habilidade, não aceitam muito bem esse processo. Não é raro ouvir deles que seus idosos “esquecem o que é conveniente esquecer”. Na verdade, não é bem assim. Cada idoso vivencia a doença de uma forma singular, embora as características da evolução sejam parecidas.

Nos estágios iniciais, alguns idosos se dão conta do que está acontecendo, se sentem constrangidos com o comportamento, e se isolam.  Às vezes, se irritam por não conseguirem lembrar de executar determinada tarefa, ou insistem em realizar, mesmo sem condições. Isso, em muitas situações, é o estopim para um grande conflito familiar. Esses conflitos diários, somados às outras responsabilidades podem produzir altos níveis de sobrecarga no familiar cuidador.

Para uma pessoa com o diagnóstico de demência as tarefas do dia a dia, mesmo aquelas bem simples, podem impor um grande desafio. É preciso ter paciência. A melhor maneira de lidar com esses comportamentos é ter empatia. Se colocar no lugar do outro: E se fosse eu? Como eu gostaria que falassem comigo?

Para manter essa relação harmoniosa, aqui vão algumas dicas sobre a forma se comunicar com uma pessoa que está com a sua cognição comprometida.

Inicialmente, começamos pelo RESPEITO a esse indivíduo. Respeito pela sua história de vida, sua trajetória, quem foi e quem é essa pessoa. O fato de ter sido acometida por uma doença que afeta a sua independência e autonomia, não faz com que se torne um completo incapaz.

NÃO INFANTILIZE um idoso nunca. Mesmo que ache que isso é um gesto de amor, não os trate como um bebê, usando palavras no diminutivo ou os repreendendo em público com palavras que usamos para nos dirigir aos pequeninos. Isso mexe com a autoestima, os deixa entristecidos. Esses gestos podem piorar ainda mais a situação, gerando acessos de raiva.

SIMPLIFIQUE A FALA sempre que for se comunicar. Utilize frases curtas e objetivas. Por exemplo, ao invés de perguntar o que o idoso deseja para o almoço, dê algumas opções do que ele gosta e peça para escolher. 

DÊ UM TEMPO PARA A RESPOSTA. Se não conseguir escolher, você pode dizer: Então eu vou escolher o que eu acho que você mais gosta. Pode ser?

Nunca responda uma pergunta com uma resposta. Eles esquecem! Mesmo se fizerem uma pergunta que lhe parece óbvia, responda de forma curta e objetiva.
M. era uma idosa que mesmo acabando de chegar a um lugar perguntava: eu já vou embora? A resposta do familiar era: Claro que não! A senhora acabou de chegar. Não se lembra?

Não. Eles não se lembram, então o mais prático é: Não. Vamos embora daqui a pouco. Talvez você tenha que falar isso muitas vezes ao longo do dia. Contudo, isso não vai gerar conflito.

Nunca use expressões como: Não se lembra? Eu acabei de falar! Como você não sabe isso? Porque eles não lembram. Quando você faz uma pergunta dessas na frente de outras pessoas, o idoso tem as suas falhas expostas, e pode se sentir humilhado. Em muitos casos eles até disfarçam e dizem: Ah! É mesmo, me lembro.

TENTE TER PACIÊNCIA COM AS REPETIÇÕES. Ele pode esquecer o que acabou de falar ou perguntar. Basta responder como se fosse a primeira vez. Não adianta usar expressões como: Eu acabei de te responder. Você já perguntou isso. Você falou isso mil vezes. Simplesmente dê respostas simples. Na maioria das vezes podem ser apenas sim ou não.

FALE DE FORMA CALMA E GENTIL. De preferência olhando nos olhos da pessoa. Não demonstre sua raiva ou impaciência. Não crie embates. O enfrentamento não vai resolver o problema. As alterações de comportamento são comuns em indivíduos com diagnóstico de demência. Enfrentar, gritar, e tentar mostrar que é você quem está certo, só aumentará o desgaste. Na próxima postagem falaremos sobre essas alterações com dicas para lidar com elas.

NÃO RIDICULARIZE A PESSOA. Existem situações em que um indivíduo com demência pode fazer coisas que os outros achem engraçado. É até normal que os familiares achem graça. Porém, nunca faça isso na frente dele. Se estiverem só os dois (idoso e familiar) aproveite para dar leveza à situação. Ria com ele, mas nunca dele. Não o exponha contando seus atos para outras pessoas com ele por perto, e fazendo disso uma grande piada. Isso também afeta a autoestima. 

Por fim, se o idoso não consegue mais se expressar verbalmente, preste atenção aos seus gestos. Tente entender o que ele quer te mostrar. O corpo fala!

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