Morar sozinho: Até quando?

 



Até quando morar sozinho?

Uma pergunta que muitos fazem. E, a resposta é: enquanto a autonomia e a independência  estiverem  preservadas, esta deve ser uma decisão da própria pessoa. 

É muito comum familiares decidirem o que seus pais devem fazer quando estão vivendo sozinhos. Em geral, isso acontece quando um dos cônjuges falece. 

A primeira ação dos filhos é; "papai ou mamãe não pode mais ficar sozinho ou sozinha". 

A partir desta primeira impressão começam a agilizar as mudanças e, de repente, comunicam que "papai ou mamãe se mudará de casa", "papai ou mamãe deve ficar próximo do filho", papai ou mamãe não deve mais viver sozinho".

Na maioria das vezes, não dialogam sobre o assunto. Decidem por alguém cuja cognição está totalmente preservada, além de ser uma pessoa autônoma e independente tanto física, quanto financeiramente. 

Muitas vezes, a situação ocorre de duas maneiras: ou levam para a casa dos filhos, ou o filho que está incomodado com a situação se muda para a casa do pai ou mãe que ficou só.

Alguns equívocos decorrem desta situação. Em muitos casos, aquela pessoa que acabou de perder seu companheiro de anos, perde em sequência, o seu espaço, a sua liberdade, a sua casa, a sua intimidade, a sua história de vida. 

Por isso, esta situação é tão delicada e carece de muitos debates e reflexões por parte dos familiares. É preciso avaliar em conjunto qual é a melhor estratégia. E, se o idoso tem a sua capacidade funcional e cognitiva preservadas, deve se levar em consideração o princípio da autodeterminação.

No entanto, existem pessoas que não possuem mais condições de viver sozinhas. Antes de tomar decisões é preciso considerar algumas questões, como por exemplo, se é necessário morar na casa de um familiar, se precisa se mudar para um residencial para idosos, ou se apenas contando com o suporte de cuidadores formais ou informais, a complexidade dos problemas diminui.  

Como avaliar se o idoso é capaz de viver sozinho?

Inicialmente é muito importante avaliar como esse idoso tem desenvolvido as suas atividades de vida diária. A pessoa tem capacidade de realizá-las sem ajuda? Ou seja: é capaz de se cuidar, cuidar da casa, das compras, toma sua medicações sozinhas, administra adequadamente seu dinheiro? Ela é capaz de tomar decisões? Esses são importantes indicadores de manutenção da capacidade funcional.

Feito isso avalie o ambiente interno e externo. São boas as condições de acesso ao domicílio? A casa é segura? Há condições de receber suporte de amigos ou vizinhos? Mantém comunicação frequente com os familiares?

Na dependência das respostas será o momento de se reunirem para começar a discutir sobre o problema.

Quando começar a pensar: alguns sinais de alerta

  • Incapacidade para realizar as atividades de vida diária
  • Diminuição da interação social
  • Isolamento
  • Correspondência desorganizada
  • Contas atrasadas
  • Produtos vencidos
  • Autocuidado precário
  • Desorganização na casa
  • Roupas acumuladas
  • Dificuldade de administrar a medicação
  • Abandono de animais de estimação
  • Abandono de plantas
  • Pequenos incidentes com fogo
  • Eletrodomésticos quebrados
Quando a família começa a perceber um conjunto de sinais que indicam importante mudança no comportamento atual, é hora de buscar ajuda. A primeira delas é procurar um serviço de geriatria para avaliar o quadro. Com um diagnóstico e a partir das impressões clínicas é chegada a hora de começar a conversar com a família e com o idoso sobre o assunto.

Aspectos importantes para  nortear a tomada de decisão

  • Converse sobre a possibilidade de mudança com o idoso
  • Respeite, na medida do possível, a autonomia de vontade
  • Leve em consideração os recursos que estão disponíveis
  • Avalie com cuidado todas as possibilidades e limites para cada situação
  • Pontue as questões que são preocupantes
  • Converse com a família
  • Certifique-se que está realmente preparado para as mudanças

Na hora de tomar alguma decisão esteja atento aos detalhes

A decisão por contratar cuidadores

  • Converse com o idoso sobre a chegada de novas pessoas na casa
  • Explique que estão chegando para pode ajudar ou fazer companhia
  • Entreviste o cuidador
  • Leia a postagem "Como escolher um cuidador"

A decisão por passar a viver em um residencial para idosos
  • Busque referências de profissionais e amigos que conheçam os locais
  • Faça visita e observe as condições
  • Faça todas as perguntas sobre o que está incluído ou não na mensalidade apresentada
  • Leve o idoso para conhecer os locais previamente selecionados
  • Apresente as vantagens de se mudar para um residencial
A decisão por levar para morar na casa de um parente
  • Escolha um lugar agradável na casa
  • Arrume-o de forma aconchegante
  • Leve os principais pertences, sobretudo aqueles de valor afetivo
  • Proporcione intimidade ao ambiente para que a pessoa se sinta à vontade
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Maria Angélica Sanchez
Especialista em Gerontologia











 


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