Agressividade: um desafio para os familiares
As demências podem cursar com importantes alterações de comportamento. Uma delas é a agressividade. Essa agressão se expressa em vários formatos: agressão verbal, violência física, violência autoprovocada, entre outras. Não há um comportamento padrão. Nem todos se tornam agressivos. Pelo contrário, tornam-se completamente apáticos.
O que pode gerar um comportamento agressivo? Muitas ações podem desencadear alterações de comportamento. Algumas podem estar relacionadas à própria evolução da doença, e outras podem ser ocasionadas por fatores externos, no próprio ambiente, sobretudo quando o idoso é contrariado. Neste caso, se faz importante identificar que situações estão exercendo pressões negativas a ponto da pessoa se tornar irritadiça. É um trabalho árduo, que exige paciência e um olhar muito atento.
Como identificar os eventos negativos? Essa é uma tarefa que exigirá extrema observação, à vezes, durante muitos dias. Um inventário com anotações sobre a rotina diária do idoso, pode ajudar. Um conjunto de perguntas devem ser respondidas quando as alterações de comportamento iniciarem.
Check list diário:
- Que horas a alteração começou?
- O que a pessoa estava fazendo?
- Quem estava por perto?
- Havia barulho no ambiente?
- Havia alguma pessoa diferente na casa?
- Existem espelhos no ambiente?
- A pessoa expressou algum desconforto?
- Tomou algum medicamento?
- A roupa parecia desconfortável?
- Como você reagiu ao primeiro sinal de agressividade?
- O que ela estava fazendo para a agressividade parou?
Ao se identificar o que pode causar as alterações de comportamento, pode ser mais fácil se preparar para impedir que novos episódios ocorram.
Algumas situações podem gerar alterações, quais sejam:
Dificuldade de compreender o que está sendo falado; frustração por não conseguir realizar determinada tarefa; sentimento de dependência de outras pessoas para realizar tarefas básicas; medo de algo que lhe é desconhecido; resistência à pessoas que podem estar perpetrando maus tratos; alucinações, dores sem conseguir expressar o que está acontecendo; privacidade invadida; entre várias outras que, muitas vezes, não conseguimos identificar.
Sugestões para prevenir problemas:
Tente tornar o dia a dia mais leve, sem tantas pressões; estabeleça uma rotina de atividades que sejam prazerosas, principalmente com coisas que a pessoa costumava ou gostava de fazer antes da doença. Mantenha o ambiente calmo, limpo e agradável; procure descontrair, faça um agrado, tente rir junto com a pessoa, ouça música, cante junto; se possível, faça caminhadas diárias, tente estabelecer algum programa de atividade física. Observe todo o ambiente (cama, sofá, cadeiras, etc.) com o objetivo de identificar se existe algum elemento que cause incômodo; avalie as roupas e os calçados se certificando de que estão suficientemente confortáveis.
Não discuta, não eleve o tom de voz, não contrarie, se possível for. Sempre pergunte: "eu posso fazer algo para te ajudar?" Caso a pessoa responda não, apenas diga que se ela precisar e só chamar. Se a agressividade persistir, saia do campo de visão. Acompanhe de longe para evitar algum possível acidente. Tente manter o equilíbrio e tenha sempre em mente que tudo o que acontece não é proposital, é uma decorrência da doença. Antes de medicar, tente esgotar todas as medidas não medicamentosas. Alguma dúvida? Deixe nos comentários.
Texto: Maria Angélica Sanchez - Especialista em Gerontologia pela SBGG
Abaixo acesse o site para conhecer um conjuntos de ações não farmacológicas para pacientes com demência.
http://www.alzheimermed.com.br/tratamento/tratamento-nao-farmacologico

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