Os desafios e necessidade do cuidador familiar






    Cuidar de um idoso dependente, sobretudo aquele portador de doenças neurocognitivas, exige um intenso esforço emocional, além de ser uma tarefa que demanda muita habilidade, pois se faz necessário conhecer sobre cuidados básicos em saúde. Muitos familiares não dispõem de recursos para contratar um cuidador formal. Ademais, alguns se veem obrigados a deixar o mercado de trabalho pela ausência de outro familiar que possa colaborar com tão árdua tarefa.

    O grande desafio desse familiar é superar as diversas fases que se depara desde o momento que recebe o diagnóstico de um médico: “seu familiar é portador de uma doença degenerativa, progressiva e irreversível”. E aqui destacamos as demências. Não é nada fácil receber uma notícia dessa natureza. O mundo vem abaixo e o que o futuro reserva começa a habitar os pensamentos diários daquele que sabe se será o único responsável por cuidar.

    Muitas pessoas mergulham nessa tarefa e esquecem de si próprias. O grande esforço na maioria das vezes impacta na saúde física e emocional. Alguns estudos mostram que uma significativa parcela de cuidadores familiares adoece: estresse, depressão, angustia, ansiedade, problemas osteoarticulares, hipertensão, insônia são comuns entre aqueles que cuidam.

    Um familiar que deixou suas atividades para cuidar de um parente dependente pode sofrer, mesmo após o óbito desse ente querido. Muitos deixam suas vidas passarem sem que tenham um projeto de futuro, e por isso não conseguem recomeçar as suas vidas quando a tarefa de cuidar se extingue.

    O grande desafio do cuidador familiar é entender que ele também necessita de cuidados. Precisa avaliar a saúde física periodicamente. Precisa ter, pelo menos, um amigo a quem possa confidenciar as suas fraquezas e desejos. Precisa de um dia ao ar livre para respirar, caminhar e pensar em si. Precisa reconhecer a fragilidade dessa tarefa. É preciso reconhecer que é humano, que erra, que tem sofrimento. Precisa, sobretudo, ter um projeto de vida.

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Maria Angélica Sanchez
Especialista em Gerontologia pela SBGG

Comentários

  1. Meu marido foi diagnosticado a 3 anos com DFT doença genética conforme mapeamento genetico, hoje com 53 anos é muito triste ver essa doença progredir, tá magrinho mas graças a Deus anda e como anda, se deixar anda dia todo, a gente como cuidadora ficamos exausta pois além da doença perdemos empresa, casa , moramos numa casa pequena e ele tem necessidade de andar tempo todo, então abre a porta, fecha a porta, abre e fecha , difícil porém como somos casados a 23 anos e temos 2 adolescentes sobra tudo pra eu pensar e fazer, não é nada fácil, só muito amor e Deus no coração..
    Graças a Deus tenho mãe e irmãs e conversamos todos os dias e rimos muito de bobeira , é o que tem me ajudado nessa minha missão de vida...

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